Cirurgia Preservadora

A correção de deformidades do esqueleto humano é um desejo antigo. Ele foi muito bem representado pelo símbolo da arvore torta, introduzido pelo médico francês Nicolas Andry (1658-1742). Os primeiros procedimentos restringiam-se a alinhamentos simples dos membros inferiores após fratura ou anquilose; a fixação interna não era aplicada e a pseudoartrose era então o resultado final desejado. A fixação interna do quadril foi tentada pela primeira vez na década de 1920 com o prego trilaminar de Smith-Petersen, e a primeira osteotomia par a coxartrose é atribuída a McMurray, que publicou em 1939. Com introdução da substituição total do quadril na década 1970, ofertando resgate da função procedente e de forma duradoura, a cirurgia preservadora do quadril perdeu seus atrativos, e como resultado muitos jovens ortopedistas, dificilmente tinham contato com um procedimento de osteotomia durante sua formação.
O renascimento de tentativas de preservar o quadril nativo começou na década de 1980. Ele teve muito a ver com o reconhecimento de que as pessoas mais jovens sofrem de problemas no quadril e que, por outro lado, a sobrevivência da artroplastia total do quadril diminuiu significativamente com a idade mais jovem. Com base em estudos do suprimento sanguíneo vascular do quadril e da pelve, melhor compreensão do mecanismo de degeneração articular também de técnicas cirúrgicas inovadoras, novos conceitos evoluíram e amadureceram para então se tratar com sucesso a articulação do quadril jovem, antes que a degeneração ocorra.

(Texto escrito por um dos maiores Cirurgiões de Quadril Renhold Ganz), publicado na introdução do livro Cirurgia preservadora do Quadril Adulto, Dr Luiz Sergio Marcelino Gomes.

Dentro da esfera Preservadora do Quadril, principalmente hoje falamos das Artroscopias e Osteotomias, procedimentos esses, que assim como descrito por Ganz, buscam melhora da mobilidade, melhora da dor e evitar a progressão da degeneração articular. Com as osteotomias buscamos mudança na biomecânica do quadril, com distribuição de carga de maneira que poupamos a cartilagem do quadril jovem. Ja nas artroscopias, visa-se também a melhora da biomecânica, mas com correções menos invasivas, com auxilio das video-cirurgias, corrigindo deformidades na região do acetábulo, cartilagem e colo do fêmur, nos quadros de Impacto Femoroacetabular (IFA).
Ainda no campo da cirurgia preservadora, muitos estudos tem evoluído e necessitam de melhores entendimento, para que possamos utiliza-los com mais segurança e com níveis de evidencia mais robustos.

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